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думав дня #24, #25 i #27

por Mary P., em 19.02.14

Pensamento de anteontem

Quem tem tias tem tudo!

 

Pensamento de ontem

 

As pessoas mudam e eu acrescento: as pessoas partem. Mas as memórias não. Ficam connosco guardadas no nosso coração.

 

Pensamento de hoje

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DEP meu querido T.

por Mary P., em 18.02.14

Este blog nos últimos tempos tem sido o meu verdadeiro diário. Pensava que já me tinha deixado disso aos 14 anos, mas a necessidade é muita de mandar as palavras que estão aqui no coração e na cabeça cá pra fora. Como já disse: partilho, porque com tanta gente no mundo de certeza que uma alminha se há-de identificar com o que escrevo e talvez possa sentir que afinal não está sozinha.

 

Já aqui escrevi acerca do meu comportamento perante a morte. 

Ontem um dos meus elementos de um dos melhores acampamentos de sempre partiu. Partiu sem nos pedir autorização. Foi tudo muito repentino. Meu menino T., quando nos encontrarmos, tchavalo, vais levar semelhante chiclete que nem vai ser bom.

Não éramos do mesmo Agrupamento, mas por pertencermos ao mesmo núcleo fizemos muitas actividades juntos. O T. sempre foi o 'Roda no Ar'. Incrível ver as fotografias no facebook. O T. destaca-se em todas pelo seu sorriso de orelha a orelha (em todas!). O que eu mais o admiro. Um puto, nos seus 19/20 anos, sempre a rir.

É injusto. É macabro. Como é que é possível? Justificação: há pessoas com prazo de validade. Mas todos temos um caramba! Não pode ser justificação plausível!! A fisiologia e a anatomia fizeram-me acreditar que o corpo humano é a máquina perfeita. Tretas. Balelas. Prova disso é que o T. foi assim sem mais nem menos. 

T. para mim e para todos que te querem estás no Céu. Portanto, começa aí a desenvolver contactos para quando Leça e Matosas se juntarem novamente fazermos o melhor ACA(PI)LEMA de sempre!!

 

Apesar de já não estarmos juntos há algum tempo, puto, e mesmo depois de ter perdido anos de vida contigo e com o E., estás no meu coração com lugar cativo desde a primeira actividade com o Hippie vestido de Robin dos Bosques!

 

Porque acho que este texto é mesmo, mesmo a tua cara aqui fica:

 

"A morte não é nada.
Eu somente passei
para o outro lado do Caminho.

Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vocês,
eu continuarei sendo.

Me dêem o nome
que vocês sempre me deram,
falem comigo
como vocês sempre fizeram.

Vocês continuam vivendo
no mundo das criaturas,
eu estou vivendo
no mundo do Criador.

Não utilizem um tom solene
ou triste, continuem a rir
daquilo que nos fazia rir juntos.

Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.

Que meu nome seja pronunciado
como sempre foi,
sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra
ou tristeza.

A vida significa tudo
o que ela sempre significou,
o fio não foi cortado.
Porque eu estaria fora
de seus pensamentos,
agora que estou apenas fora
de suas vistas?

Eu não estou longe,
apenas estou
do outro lado do Caminho...

Você que aí ficou, siga em frente,
a vida continua, linda e bela
como sempre foi."

 

Santo Agostinho

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wacabanga yosuku #23

por Mary P., em 16.02.14

 

***

Liberta a tua mente

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***

Quem me dera ter a capacidade de não me importar

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Pós-Carta: A carta foi entregue no dia 4 de Fevereiro. Hoje, dia 15 de Fevereiro, não me arrependo nem de a ter escrito nem de a ter entregue. Mas não estou bem comigo própria. Não se trata de arrependimento, mas sim de revolta. O meu irmão roubou-me. Literalmente. Todas as minhas poupanças, todo o ouro que tínhamos foi-se. O J. vendeu tudo. Há um ano sensivelmente o J. conseguiu aceder às peças que a minha mãe guardava e foi com um amigo maior de idade a uma loja de penhores vendê-las. Dividiram o dinheiro entre os dois. Descobrimos. Ainda fomos a tempo de conseguir assegurar as peças que mais significavam para a minha mãe. Por não querermos que o caso fôsse para a Polícia pagámos o valor que eles receberam + o IVA (não foi pouco! Foi pago com dinheiro da minha conta – poupança). O combinado entre as mães foi pagarem a meio. A minha mãe chorou, bateu-lhe, pediu-lhe que prometesse que não o voltaria a fazer. Ponto. Como desde sempre protegeu o J. Não quis tocar mais no assunto. E premiou-o por naquele dia ter colocado a loiça na máquina, premiou-o por ter levado o lixo, premiou-o porque limpou o pó do quarto dele, premiou-o porque ele respirou. Não, não estou a exagerar. A minha mãe convenceu-se de que criou um monstro e que por isso, por cada coisa 'boa' que ele fez merecia ser recompensado para ele sentir que valia a pena ser bom. Filosofia da treta. Desde sempre foi alertada de que não era assim que ia conseguir tornar o J. numa mais-valia para a sociedade. Depois de termos sido roubados por um dos habitantes da Casa combinei com a minha mãe guardar tudo o que era de valor no meu quarto, quarto esse que foi fechado à chave todos os dias depois de sair dele. Custou-me. Custou-me porque mais parecia que estava a viver num hotel em vez da minha Casa, do meu ninho, do lugar onde supostamente deveria sentir-me mais segura. 

Mas mais uma vez o J. foi mais inteligente do que eu. Num dia depois das aulas, sozinho em casa descobriu a chave-mestra, aquela que abre todas as portas cá de casa, e guardou-a. A partir desse momento foi um gozo total da parte dele. Cada vez que trancava o meu quarto ele ria-se. 

Na segunda-feira desta semana tive um dos melhores começos de dia: passei a Bioestatística! O cadeirão que me andava a tirar o sono. Que me esforcei para o fazer desta vez. Que fui teimosa e não quis explicações. Porque queria mostrar a mim própria que era capaz. Passei com 11, uma nota de caca, mas que para mim foi uma vitória. Nesse mesmo dia fui contra o Ministro Aguiar Branco, o lesionado. O que foi motivo de brincadeira lá na faculdade. O dia estava a correr bem. O que eu me ri com a reacção da minha mãe e da minha tia ao telemóvel quando lhes disse que tinha tirado 9. Epa. O dia estava mesmo a correr bem, porque estava bem disposta, porque os meus objectivos académicos estavam cumpridos, porque tinha acabado de ficar de férias até sexta depois de um semestre desgastante, onde me enclausurei no laboratório e em que vi o meu esforço e a minha dedicação recompensados. Tudo mudou quando em casa enquanto organizava a capa do 3º semestre e precisei de ir ao cofre buscar uma molinha (que usava para organizar as notas). O meu coração parou. Comecei a hiperventilar. Mesmo. Estava tudo no sítio menos os dois cofres vermelhos. Estava lá o buraco a sinalizar a falta deles. A última vez que fui lá tirar dinheiro tinha sido há duas semanas para ir ao cinema com o puto e com a mãe numa de o animar e de o fazer sentir-se integrado. Fui ter com a minha mãe e disse-lhe que os cofres não estavam no sítio. Ao que ela me disse que o mais provável é que eu os tivesse guardado noutro sítio, porque naquele quarto só entrávamos nós as duas, porque aquele quarto era fechado à chaves todos os dias. Foi para o meu quarto e tirou tudo do armário. Cofres? Nem vê-los. Entretanto o J. chegou (era suposto estar em casa desde as 14h30, mas faltou às aulas o dia todo e chegou às 19h). Foi confrontado. Por mim, pela minha mãe e pelo meu pai. Começou a chorar. Incrível! Tão homenzinho para umas coisas e para outras ... Disse que tinha os cofres guardados no cacifo da escola e que amanhã os traria. O meu pai disse que os ia buscar naquele momento. O J. disse que afinal quem os tinha era uma amiga da M., miúda essa que nós no Verão recebemos em casa por acharmos que era uma boa influência para o J. (tretas). Eu estava em pulgas. Fiquei com a minha mãe em casa. Durante o tempo que eles estiveram fora tirei a Playstation, os jogos da PS, tirei a PSP, tirei o mp3, tirei os phones todos xpto's e tirei os óculos de sol que o J. tinha comprado com o dinheiro do primeiro roubo (ele conseguiu três dígitos xxx€). Escondi todas essas coisas e neste momento estão guardadas em casa da minha tia. Ainda estou a deliberar se as venda ou não (a minha mãe pediu-me para que não o fizesse). Estava em pulgas porque num dos cofres, o mais robusto, estavam lá guardadas as minhas cadernetas. Ainda hoje não sei com quem é que o puto está metido. Não sei se são mais inteligentes que ele. Podiam muito bem ter ido ao banco e levantar todo o dinheiro. Tinha que fazer alguma coisa. A minha mãe só queria estar às escuras e silêncio. Eu queria movimento, libertar todo o nervosismo que estava a sentir. Agarrei num casaco e na mochila e disse à minha mãe que ia ao Banco do A. ver se me tinham mexido nas contas. ‘Vai com cuidado, Mary.’ Estava eu a descer as escadas quando o meu pai e o J. entraram e o J. foi ao vão da escada. Olhei para o meu pai com olhar de parva. Quando saiu de lá o puto vinha com o saquinho daqueles transparentes com fecho. Consegui ver o conjunto de notas e uns quadrados verdes, que já tinha visto nas mãos dos meus amigos que fumam ganza. – Não, eu nunca fumei ganza. E os meus amigos respeitam as minhas opções.

Subi com eles. Fomos para a sala. O J. sentou-se e o meu pai disse que ele agora ia contar a verdade. Pôs em cima da mesa um saco preto, saco esse que a minha mãe se apressou a abrir. Sacou de lá um dos cofres. O mais robusto. Estava todo amassado. E com a face da fechadura mais branca do que vermelha. Tirou ainda o saco de pano onde tinha guardado as caixas das contas de Viana, que durante os meus vinte anos de existência a minha tia, madrinha do J., me dava (todas vazias). Também em cima da mesa estava o saco com o conjunto de notas e duas placas.

A olhar para o chão o J. começou por explicar como conseguiu entrar no meu quarto, como tinha encontrado a chave (chave essa que nem os meus pais se lembravam da sua existência e há dezanove anos que vivem nesta casa!). E eu disse-lhe:

- Homenzinho que és vais dizer tudo o que fizeste a olhar nos meus olhos.

Levantou a cabeça e os nossos olhares cruzaram-se. Disse-me:

- É verdade Mary. Eu conseguia entrar no teu quarto. Tirei-te os dois cofres. O mais pequeno não consegui abri-lo e para não notarem que tinha tentado abri-lo deitei-o ao lixo (só espero que quem o encontrou seja alguém bom e que ao menos possa ser ajudado, descobriu um pequeno tesouro). Esse que está aí … - baixou a cabeça e eu pus-me de costas – esse … vendi tudo o que tinha.

- E o dinheiro que tinha? – perguntei eu tão alto, que os vizinhos do outro lado da rua de certeza que ouviram.

- Gastei-o.

Não me contive. Dirigi-me a ele. E bati-lhe. E insultei-o. E mandei-o para sítios horríveis. E mandei-lhe com as caixas das contas uma a uma à cabeça e ainda atirei-lhe com as placas à cara, quando a minha verdadeira vontade era esfregar-lhe com aquela merda na cara.

O meu pai separou-nos. A minha mãe chorava.

E eu entre muita raiva e em lágrimas berrei-lhe:

- ESSE DINHEIRO ESTAVA EU A JUNTA-LO PARA NO VERÃO IR PARA SÃO TOMÉ! ESSE DINHEIRO FOI FRUTO DO MEU ESFORÇO, DO MEU TRABALHO.

Não estava a conseguir raciocinar. Peguei numa cadeira e estava disposta a atingi-lo com ela não fôsse o meu pai meter-se mais uma vez entre nós os dois.

Só queria sair dali. Já tinha ouvido de mais. Dia que começou tão bem e que acabou comigo no Inferno. Só queria ir apanhar ar fresco e fumar um cigarro. A minha mãe quis vir comigo. Fizemos o caminho em silêncio. Apenas disse:

- Vamos para o largo do Lar que tem lá uns bancos e não deve estar lá ninguém.

Assim foi. Saquei do maço naturalmente (algo mais que inédito, porque a minha mãe já desconfiava que eu fumava nas minhas saídas, mas nunca durante a semana) e dei-lhe um cigarro.

Fumámos.

Continuámos sentadas. A minha mãe só tinha duas frases:

- Eu criei um monstro. Desculpa Mary, desculpa…

Dei-lhe um abraço. E apesar de a minha vontade era dizer-lhe que a toda a protecção não trouxe nada de bom sabia que naquele momento tinha que lhe dar ânimo e disse-lhe:

- Fizeste o que o teu coração de mãe te mandou. – continuei na tentativa de lhe passar força – O J. num fundo dos fundos é um miúdo bom. Devias de o ter visto na Madeira. Ele foi impecável. Já fizemos tudo o que está ao nosso alcance. Ele nos seus dezasseis já tem a faca e o queijo na mão. Perdoei-o da primeira vez agora não consigo mãe. Não consigo perdoa-lo.

E fomos para casa.

Uma noite passada em branco com a minha mãe. Valeu-me o Porto Sentido que passou na RTP, mas que acabou cedo de mais para o meu cérebro ficar entretido. Só me lembrava das coisas horrorosas que fiz, do que disse, do que me passou pela cabeça fazer. Fui um verdadeiro monstro. Alguém que nunca na minha pensei que me poderia tornar. E isso assustou-me. Eu não quero voltar a ser assim. Mas durante esta semana já tive vontade de voltar a ser assim mais do que uma vez.

Depois de ter fugido da escola para não ir à Psicóloga depois da consulta ter sido antecipada tendo em conta os recentes acontecimentos a minha mãe em desespero totalíssimo pôs férias até ao final da semana para ter a certeza de que o J. iria connosco ao CAT sexta – feira de manhã. E assim foi. Às 9h30 lá estávamos os três à espera de sermos chamados. A Dra. P. chamou o J. primeiro. Entretanto eu e a minha mãe ficámos na sala de espera. A hora da Metadona estava a aproximar-se. Durante quase duas horas passaram por nós pessoas de todas, TODAS as classes sociais, dos mais variados aspectos, com os mais diferenciados comportamentos. Todos eles iam para o mesmo: ir buscar a metadona. O caso que mais mexeu comigo foi o de um pai nos seus 25 – 35 anos, muito magro, que levou a filha, que não tinha mais do que 10 anos e que queria que a miúda fôsse consigo à Enfermeira. Felizmente o Segurança (que sabia o nome de todos os homens que entravam e saíam e que não recusou o pedido de ‘uma moedinha’ a um deles para tirar um café) teve o bom senso de não a deixar passar. Mas infelizmente a miúda esteve sentada entre homens iguais ao seu pai. Mandaram-lhe uma piadas, ofereceram-lhe um chocolate quente. Ela não aceitou, nem sorriu uma única vez. Vê-la sair dali com o pai de mão dada mexeu comigo. Segui-os pela janela até atravessarem a rua. Que amor de pai era aquele pela filha? Porque pareceu-me que o senhor gostava dela. Durante a meia hora que estive atenta a eles ele pareceu-me ter sido atencioso com a filha e a miúda sorriu-lhe e abraçou-o. Mas que amor e respeito pela filha tem aquele pai ao levar a miúda a um sítio daqueles??

Passado algum tempo o J. subiu. Comprometeu-se com a Psicóloga a fazer análise à urina de modo a despistar o consumo de drogas pesadas. Foi com a minha mãe à casa-de-banho para haver 100% de certezas de que aquela era a urina do J. (ao ponto que as coisas chegam). Agora restava-nos aguardar quinze minutos para sabermos o resultado das análises. Nesse quarto de hora passou-me uma série de imagens pela cabeça – o meu irmão numa clínica de desintoxicação, o meu irmão a injectar-se, o meu irmão a envolver-se em conflitos por ter que conseguir dinheiro para satisfazer o vício, o meu irmão a matar a minha mãe por estar sem consumir à mais de um dia, o meu irmão morto devido à overdose.

Finalmente fomos chamados e descemos os três.

Sentámo-nos. O J. estava entre mim e a minha mãe.

Gostei da Psicóloga. Ela disse as verdades sem falinhas mansas. Foi ‘curta e grossa’. Disse que neste momento o J. não mereces promessas. Merece sim, actos. Disse também que o passado ninguém lhe tira, mas que ele pode construir um futuro. E futuro esse a partir de agora. Porque é ele neste momento quem tem a faca e o queijo na mão. A nós, família, só nos resta levar esta situação para instâncias maiores. Algo que temos vindo a adiar, porque não é de todo o nosso objectivo institucionalizar o filho e o irmão.

A Dra. P. disse que neste momento eu, a minha mãe e o meu pai merecíamos a verdade da parte dele. E que o respeitava se ele não o quisesse fazer na parte dela. E eu interrompi e desafiei-o:

- Anda lá J. Em casa já demonstraste que não és capaz de o fazer. Agora aqui, na presença da Dra. P., sempre te sentes mais protegido.

E ele, a olhar para o chão (algo que me tira solenemente do sério):

- Se querem que eu seja honesto eu vou sê-lo. Fui com um amigo a uma loja a VdC, onde não pedem identificação, e vendi todo o ouro.

Levantei-me. Levantei-me porque na noite anterior tinha-me jurado que tinha ido sozinho a uma loja a C. e que na sexta, depois da consulta, me levava lá, a mim e à minha mãe. Mais uma vez era tudo mentira.

A Dra. disse-me que o melhor era sair e apanhar um bocado de ar, mas não queria perder aquele ataque de honestidade e sinceridade por nada deste mundo.

Sentei-me.

E a Dra. P. perguntou:

- O que é que fizeste com o dinheiro que tinhas, J.?

E eu interrompi:

- Sim, porque o haxixe não custa mais do que 10€ (nos últimos tempos fiz muitas e muitas perguntas aos meus amigos. Amigos esses que fumam um charro entre todos).

O J. respondeu:

- Almocei fora todos os dias, comprei maços de tabaco todos os dias, comprei gomas e comprei haxixe.

E a Dra. P., muito calmamente, perguntou-lhe:

- E o que é que sentes neste momento J.? Estás arrependido? Sentiste-te poderoso entre os teus amigos?

E o J., encolhendo os ombros, abriu a sua linda boca para dizer:

- Com os meus amigos senti-me igual. Lá por ter dinheiro não sou nem mais nem menos do que eles. E sinceramente, honestamente (curioso ele ter ressalvado estes dois advérbios de modo) não me sinto arrependido.

Foi duro. Foi horrível ter ouvido estas palavras daquela boca. Ao meu lado tinha um monstro sentado. Ele não sente remorsos. Ele não tem pinga de dignidade. Ele não tem coração.

A Dra. P. disse-nos que ele está preso no emaranhado das suas próprias mentiras. Que está frio. E que ainda não se apercebeu que está a jogar sozinho.

Em conversas com a minha tia ela disse-me que esta raiva que sinto dentro de mim sábado no máximo passava e que depois iria desvalorizar. Mas não. A verdade é que hoje é sábado, quase domingo e esta raiva não passa. A moeda ainda está a cair. Ontem, por exemplo, não pude ir ao jantar de fim de férias da faculdade por não ter dinheiro. E eu não peço dinheiro à minha mãe. Estou a privar-me de coisas porque aquela BESTA, QUE É MEU IRMÃO, E DE QUEM EU NÃO CONSIGO DEIXAR DE GOSTAR, PESSOA DE QUEM EU SINTO RAIVA E AO MESMO TEMPO EU SINTO PENA POR NÃO SABER ONDE ESTÁ O CORAÇÃO ROUBOU-ME. LEVOU-ME TUDO O QUE TINHA. LEVOU-ME PARTE DE MIM. E DESPERTOU EM MIM UM SER QUE EU NÃO CONHECIA NEM FAZIA QUESTÃO DE CONHECER.

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Hesitei. Pensei muitas vezes. "Publico. Não publico."

Publico. Publico, porque apesar de este não ser o blog mais badalado há pessoas que cá vêm espreitar, dar uma olhadela. Por respeito a quem vem cá, partilho esta carta que o meu coração escreveu. Quem sabe não será um empurrão de alguma maneira para alguém, que como o meu irmão, um miúdo cativante, sempre de piada pronta, com um jeitaço enorme para escrever e desenhar, mas que nos seus 16 anos está perdido.

 

~ Carta ao meu Caçula ~

 

 

Porto, 3 de Fevereiro 2014,

J.,

escrevo-te esta carta porque se nos últimos tempos foi difícil chegar até Ti, agora mais do que nunca. Acho que chegaste a um ponto de desinteresse tão grande, que agora estás literalmente a marimbar-te para os que te rodeiam, portanto, adoptaste a atitude do “Falem para aí à vontade que eu não estou nem aí”. Já fico feliz se leres com olhos de ler esta carta até ao fim. Depois faz dela o que quiseres. Mas dá-me esta oportunidade. Por favor.

Estás a crescer, a construir a tua personalidade. Temos que respeitar. Ok. Até aqui tudo bem. Mas também tens que nos ouvir.

Ainda hoje, nos meus vinte anos, sinto a necessidade de me afirmar perante uma Mãe tanto ou quanto galinha (é Mãe!) e um pai, que não o sabe ser. Nós não os escolhemos, mas eles também não foram à loja e disseram “Olhe quero aquele ou aquela.” Família não se escolhe. E tenho-te a ti, meu Irmão. De quem eu amo, mas amo mesmo. Podes não acreditar. Aliás, acho que a primeira vez que o disse foi à bem pouco tempo. Este é o meu jeito.

Desde pequenos que nos damos como cão e gato. O que me fortalece são as vezes que já te intrometeste nas minhas discussões com a Mãe e com o pai. Eu não me esqueço. Senti que o meu irmão, o caçula, me protegeu. É bom, é muuuuuuuuito bom.

Tenho 99,9% de certeza de que achas que o que estou a escrever é para ficar bonito e que estás seriamente a pensar mandar a carta para o lixo. Não o faças. Mereço esta oportunidade.

Sempre tive orgulho de dizer que o meu irmão é o verdadeiro jogador da bola, a jogar pelo M. (!!!!), com abdominais capazes de ralar queijo (não é minha, é do Palmeirim), com a piada debaixo da ponta da língua, com umas covinhas liiiiindas. Mas orgulho-me mais ainda do teu comportamento da Madeira (já to disse. Reforço a mensagem). Adorei ver-te lidar com os mais novos. Depois de toda a Merda toda que fizeste, achei que estavas a agarrar a oportunidade que te deram e que estavas a mostrar às pessoas que valia a pena apostar em ti. Contribuíste para o 1º lugar da tua equipa. Parabéns, meu Irmão! Vi o J. que achava que tinha desaparecido. A tua essência é boa. Tens tudo para te tornares um grande Homem!

Escreves como ninguém, falas muito bem, a tua imaginação pode dar-te asas para voares bem longe e alto. Não te deixes influenciar por quem não vale a pena. O teu futuro vale muito mais do que um charro.

Não querendo ser repetitiva, mas acho que não tenho melhores palavras para te dizer:

J., olha para ti. Vê num espaço de um ano e meio (acho eu) a pessoa em que te tornaste. Estás um delinquente. Um agarrado. Se há um ano te dizia que te estavas a afundar, hoje digo-te que já afundaste e foi a pé juntos. 

E o que é que fizeste e estás a fazer? N-A-D-A. RIGOROSAMENTE NADA. Pelo contrário. Parece que gostaste da situação e que te estás a deixar ficar, a deixar-te levar pelas ondas. Esqueceste-te que não foste sozinho. Que para o bem e para o mal tens uma Mãe que te ama. Que desde pequeno esteve sempre contigo. Que te protegeu, que te defendeu das tuas próprias mentiras, que sempre fez o que podia por ti. Importas-te com isso? NÃO! Não demonstras pinga de consideração! Estás a caminhar para a tua degradação e infelizmente estás a levar a mãe contigo. ESTÁS A SER UM VERDADEIRO INGRATO, EGOÍSTA, que só olha para o seu umbigo. Não tendo preocupação nenhuma, NENHUMA MESMO, em magoar as pessoas que te amam.

Desliga a opção do “Quero de lá saber. Tirem-me o telemóvel, a PSP e o computador. Que a ganza e os meus amigos colegas valem muito mais do que isso”. ACORDA PRA VIDA, MIÚDO!!

O passado já ninguém te tira. Mas tens o presente agora!! Corta de vez com os Colegas da Ganza – Carolina, Maia, Rodrigues (Miguel) e outros (que se existem, eu não sei).

Se queres ser FELIZ, verdadeiramente FELIZ, se daqui a 10 anos queres olhar para trás e dizer orgulhosamente: “Já estive em circuitos duvidosos, mas tive força de vontade para sair e desligar completamente daquela vida.”; se queres ter uma Mãe equilibrada, com gosto de viver, orgulhosa do filho; se queres que as pessoas não duvidem da tua palavra; se queres que as pessoas confiem na tua palavra; se queres ser LIVRE -------------------------> ACORDA PRA VIDA, MIÚDO!

COMEÇA POR ADMITIR QUE TENS QUE SAIR DESSA RODA  e depois agarra com unhas e dentes as ajudas que tens à tua volta.

 

 

Só quero o teu bem,

 

Mary

 

Agora dá uma olhadela nestas informações que encontrei:

 

Para ti e para os teus Coleguinhas que te disseram que o haxixe e a ganza (a mesma coisa, pelos vistos) não fazem nada, que dá uma moca fixe, anda lá, é só uma passa,…

Aqui vai meia dúzia de conhecimentos que deveriam de ter em conta antes de sacar de uma mortalha:

 

Começam por escrever (Clínica Villa Ramadas): HAXIXE, UMA PASSA PARA O INFERNO

 

Os efeitos provocados pelo haxixe passam por excitação seguida de relaxamento, desorientação no tempo e no espaço, verborreia (falar sem parar), euforia, fome desmesurada, palidez, taquicardia (coração a bater muito depressa), olhos avermelhados, pupilas dilatadas e secura da boca. -> Disseste-me que te acalmava. Como vês não é verdade. Até pelo contrário. Impossível estar relaxado com o coração a bater mais depressa.

 

Redução da atenção e comprometimento da memória para acontecimentos recentes, alucinações, sobretudo visuais, diminuição dos reflexos. -> É por estas sensações que faltas às aulas todos os dias da semana, desde Setembro? Por favor! Há coisas que valem bem mais a pena.

 

Pode ainda produzir ansiedade intensa, pânico e quadros psicológicos de gravidade apreciável, dos quais fazem parte, por exemplo, as paranóias. -> “Fico mais calmo.” Como vês é totalmente mentira esse argumento. ACHAS QUE FICAS MAIS CALMO. Na vida real, aquela que realmente interessa, não é assim que reages.

 

Pelo exposto, é fácil deduzir que o haxixe não é assim tão inócuo como julga o comum dos seus actuais ou futuros utilizadores. Sendo encarado e denominado como sendo uma "droga leve", o haxixe abre a porta não só a efeitos perniciosos, mas também à entrada, e, porventura, instalação, de drogas consideradas mais "duras", que conduzem à degradação do indivíduo e à perda da dignidade, quando não mesmo da sua própria identidade. -> É NISTO QUE TE QUERES TORNAR?? NUM VERDADEIRO AGARRADO. QUE ANTES DE PENSAR QUE TEM SEDE JÁ SÓ PENSA EM CONSUMIR?? É ESTE O TEU CONCEITO DE FELICIDADE??

 

ACORDA PRA VIDA, MIÚDO!

 

Ficam aqui algumas frases para ires pensando nelas:

 

. Nada muda se tu não mudares!

. Todos os dias tu decides se continuas no mesmo jeito ou mudas (mudar sempre para melhor, óbvio!).

. Não importa o quão devagares vai, o que importa é que nunca pares!

. A vitória é sempre possível para a pessoa que se recusa a parar de lutar ;)

 

Amo-te, meu Irmão <3 

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pensamento do dia #21

por Mary P., em 14.02.14

Aqui vao o pensamento irresistível do dia de hoje:

 

 

***

Neste dia de São Valentim espalha o Amor pelo mundo com a UNICEF

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คิดว่าวันที่ #20

por Mary P., em 13.02.14

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contra factos não há argumentos #2

por Mary P., em 13.02.14

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