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Mundial 2014 a quente

por Mary P., em 26.06.14

Não percebi a teimosia do Paulo Bento. Não percebi, como não percebo nunca, o que se escreve e se diz nos media nestas alturas. Não percebo a prestação da Comitiva Portuguesa. Não percebi a atmosfera criada à volta do Cristiano. Ok. É o melhor jogador do mundo. E não é todos os dias se recebe o melhor jogador do mundo. Mas chega a ser ridículo o desespero. O Cristiano não precisa disso. Ele dá numa de durão. Mas claro que o afecta. Ninguém aguenta tamanha pressão! E depois somos nós, portugueses, que o elevamos à qualidade de Deus, depositando nele a esperança e a responsabilidade de levar Portugal à vitória. Hello!! Portugal não é Cristiano e mais dez. Portugal somos todos. Portugal é Cristiano, Raul, Beto, João, Silvestre, Paulo,..., eu, tu, nós. Temos sim que nos orgulhar por o melhor jogador do mundo representar as mesmas cores que nós! Voltando às teimosias do Paulo Bento: não percebi a convocatória. Não percebi porque é que o Rui Patrício foi o guarda-redes titular quando tínhamos no banco o campeão europeu que fez uma temporada excelente. E por mais que queira não consigo deixar de pensar que se o Beto tivesse jogado contra a Alemanha e se tivesse defendido, como é seu hábito, aquele filho da mãe de penalti - a primeira peça a cair, tipo aqueles carreirinhos de peças de dominó, estão a ver? - talvez não estaríamos hoje a fazer as malas.Também não percebi o Postiga e o Hugo Almeida. O Quaresma e o Adrian. Não percebi porque é que o William não jogou logo de início do Mundial, mesmo sendo tido como uma das jovens esperanças da competição. Não percebi o Pepe. Não percebi as arbitragens. Não percebi a Merkl toda cheia de vida a festejar os golos (percebi, claro que percebi; ninguém gosta de perder, mas deixou-me cá uma celeuma que nem é bom de recordar). Não percebi atitudes da FIFA. Não percebi o comportamento do Governo Brasileiro nestes últimos anos. Este Mundial ficará para sempre manchado pelo sangue derramado por aqueles que defenderam os seus direitos e foram à rua lutar por um mundo melhor.

Muitos criticam o futebol. Eu acho fantástico. Surpreende-me a capacidade que este tipo de eventos tem em juntar as pessoas. Em uni-las. O hino cantado a uma só voz. Os abraços dados. Os gestos partilhados. Os sofrimentos divididos. Adoro a ideia de se reunir a nata da nata de cada país e todos voarem para um sítio e durante a competição serem eles os representantes orgulhosos do seu país. 

Por mim bania-se o conceito dos sponsors. Por mim havia Mundiais e Europeus todos os anos. 

O jogo acabou nem à cinco minutos. Portugal ficou de fora. Ficámos em terceiro no grupo. Muito, bastante longe das expectativas de todos. Ponho as minhas mãos no fogo de que agora vão dizer que somos todos uma merda, que com o Paulo Bento não vamos lá, que o Cristiano Ronaldo só joga no Real Madrid. Sem dúvida de que todos os que viajaram na camioneta que diz que "O passado é história, o futuro é vitória" têm muito para reflectir. Mas nós, portugueses, também temos que pensar na nossa atitude, no nosso estilo enquanto adepto. Tive a sorte de ver Portugal contra a Irlanda do Norte no Estádio do Dragão. E nós portugueses fomos do caraças! Não podemos é virar costas e desatar ao insulto quando as coisas não nos correm de feição.

 

Despeço-me na esperança de que até ao Euro2016 dediquemos todos um tempinho das nossas vidas ao nosso Portugal.

 

 

"Heróis do mar/Nobre povo/ Nação valente e imortal!/ Levantai hoje de novo/ o esplendor de Portugal!"

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