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-> (parte VI)

por Mary P., em 27.04.15

Se existir o título de pior blogger esse título é meu! É que desta vez o meu silêncio deveu-se pura e simplesmente à falta de vontade em escrever aqui. Inércia. É definitivamente a palavra-chave.

Mas o bichinho voltou porque este fim-de-semana tive a sorte de poder conhecer novas pessoas. Novas formas de viver a vida. E que partilham comigo um sentimento: o-amor-aos-caminhos-de-santiago. Partilhei com alguns as minhas, nossas histórias de quatro anos de caminho e lembrei-me que como pior-blogger-de-sempre-que-sou ainda não acabei o meu relato sobre os Caminhos de Santiago, nomeadamente a minha viagem do ano passado. 

E com alguma nostalgia, bastante saudade e com um sorriso de orelha-a-orelha aqui vai o relato do dia que partimos de Redondela rumo a Pontevedra.

Tivemos o prazer de contar com a Maga mais uma vez. Saímos por volta das 6h/6h30. A memória mais viva que tenho deste dia é que CHOVIA A CÂNTAROS. E estamos a falar de Verão em pleno Agosto. Mas trata-se da Galicia. Já todos sabemos para o que vamos!

O caminho faz-se bastante bem! Poucas subidas, poucas descidas. Acho que é nesta etapa que ainda no início da etapa que tem uma rua com uma ligeira inclinação. Mas é possível parar a meio e do lado direito tem um fontanário com água bem fresquinha! Acho também que é nesta etapa que há cinco anos eu e a outra Maria Inês apanhámos um susto de morte quando ainda de madrugada com a luz do luar nos cruzámos com o senhor idoso de pedra que está sentado pacientemente às portas do cemitério. Quase que morríamos!

Continuou a chover a cântaros. Mesmo antes de chegarmos em Pontesampayo decidimos entrar num café com muito bom ar que tinha acabado de abrir àquelas horas da madrugada. Tomámos el desayuno e exercemos tentativas de secagem com o secador das mãos da casa-de-banho. Tivemos a oportunidade de desayunar com a Francesca - uma italiana quarentona, super fit, que faz dos Caminhos de Santiago a sua vida. A Francesca e a sua história de vida são incríveis. Fez todas as etapas sozinha, porque assim o queria. Mas quando nos encontrávamos nos albegues - era sempre uma das primeiras a chegar - a animação estava garantida!

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(esta fotografia não tem efeitos. estava, estávamos ensopadíssimas.)

Aliviadas e com mais energia seguimos até Pontesampayo, um dos meus sítios preferidos.

Aqui ainda sem atravessar a ponte já sentíamos o cheiro a pão com chouriço da chaminé da padaria imediatamente a seguir à ponte, mas como tínhamos acabado de comer deixámos a gulodice e curtimos as ruas e ruelas de Pontesampayo, a aldeia grega semeada na Galicia.

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(aqui com a Maga a cruzar a ponte)

Neste dia a Sophie e a Sarocas ligaram o turbo e seguiram sempre. Eu fiquei para trás com a Maga deliciada a ouvir as histórias dela no seu hospital em Madrid. Encontrámo-nos as quatro já na periferia de Pontevedra e fomos, como malucas, a cantar e assim chegámos ao Albergue, onde todos os anos perco/esqueço-me de uma coisa que trago comigo.

Quando chegámos já lá estavam o Titi, o Blogger, as espanholas, o Sergi e a Francesca. Mais uma novidade neste ano! Com a chuva que caía não era possível esticar o lombo à porta do albergue enquanto os antipáticos voluntários não abriam as portas. Deixámos antes as mochilas na fila e fomos para a esplanada do primeiro café em frente tomar café e javardar mais um bocadinho. E a festa que foi quando vimos o David e o Gabriel a chegarem! 

Calámo-nos quando nos deparámos com este quadro:

 (tristemente não estou a conseguir colocar a fotografia - já tentei mil e uma maneiras, só me falta fazer o pino com a mão esquerda. Recorrerei, portanto, às palavras para descrever o momento: Pai e filho - menos de seis anos. O pai levava o filho num carrinho do tipo carrinho de compras, só que quitado. Pai e filho a fazerem o Caminho. Cada um à sua maneira. O pai demonstrando a sua força e garra. O filho a ser paciente e a portar-se lindamente aguentando muito bem todos os solavancos a que estava sujeito. Infelizmente só nos voltamos a cruzar em Santiago e foi muito ao de longe. Só deu mesmo para esticar a mão e dizer adeus)

Depois de termos entrado e de nos termos apercebido que os alberguistas mais antipáticos de todo o Caminho continuam em Pontevedra fomos tomar banho. Acabámos por almoçar no café em frente. Escolhemos o menu de peregrino. Não era nada de especial. Regressámos à base e já não me lembro muito bem como nem porquê combinámos um jantar napolitano com os nossos queridos Valentina&Salvatore. O plano era o seguinte:

Valentina&Salvatore -> fazer a lista de ingredientes e cozinhar

Mary, Sophie e Sarocs -> comprar ingredientes e coordenar a equipa de lavagem de loiça

David&Gabriel -> lavar a louça

Entretanto, cruzámo-nos com o David que estava cheio de estilo, que tão bem lhe fica, a demolhar os pés numa argila toda xpto oriunda do Rio Nilo. Neste albergue, apesar dos voluntários serem uns ranhosos do pior - faço mesmo questão de repetir isto, porque há quatro anos que eles estão sempre com cara de frete e que em tempos fizeram com que pedíssemos o livrinho e mais! o homem deitou ao lixo uma das minhas tshirts favoritas do Caminho, uns calções, umas cuecas e um soutien! - o português completamente apanhado do clima que faz reiki e trata dos pés é um amor e é impossível não nos rirmos com ele. No final da noite fiquei eu e o David a falar com ele e tendo sido avisada mais que uma vez que seria degulada se me voltasse a rir tão alto mais uma vez, visto que já estavam todos a dormir. Mas com aqueles dois era impossível!

Comprados os ingredientes - Pontevedra está muito bem servida neste ponto! O Albergue fica mais ou menos a 10 minutos no centro. Tem supermercados, tem farmácias e tem uma Caixa Geral de Depósitos. É obrigatório ir à igreja com forma de vieira que fica mesmo no centro. E à frente do Burger King.

Estava na hora da janta. Aprendam:

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É UM CRIME PARTIR O ESPARGUETE NA HORA DE O PÔR NA ÁGUA A FERVER!

OREGÃOS VÃO SUPER BEM COM MOLHO DE TOMATE!

Ó pra nós aqui todos felizes e contentes:

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 Depois de coordenar os rapazes e de ter tratado dos pés das minhas meninas, do Gabriel e do David foi como vos escrevi: toda a gente foi dormir e eu e o David ficámos a rir com o maluco do português!

Antes disso, mas muito importante: Foi aqui que estabelecemos contacto pela primeira vez com o Titi! Um taiundês - não sei se é assim que se escreve, mas ele é de Taiwan. Logo aqui ele provou não resistir ao nosso charme ofereceu a cada uma de nós um postal com uma fotografia de peixes e porcelanas e escreveu o nosso nome na sua língua. Mas tem mais piada falar sobre ele na próxima etapa.

E assim fica o mistério! Não percam o próximo episódio, porque eu também não!

 

 

 

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ancorar

por Mary P., em 11.03.15

Nos meus 21 anos, quase 22 (brrrrrrrrrrr), a minha mãe está anciosa, desejosa de me ver ancorada! 
"Mary, quando é que me apresentas o teu namorado?" Sempre e constantemente. 

Ó mãe, já te disse vezes sem conta que não estou nem aí. E nem comeces! Que conhecendo-te há quase 22 anos (brrrrrrrrr) já sei que quando levar o xuxu a casa vais fazer como se fosse o Rei da Prússia a ir. Portanto, só conhecerás o meu verdadeiro xuxu quando estivermos próximos da data do casório. Porque até lá, até o encontrar vou passar por tentativas-erro, que não merecem tanta pompa e circunstância. Até lá desbundarei. Haverá alturas que porei os valores de parte. São os twenties! E já são me faltam 8 anos para lhes dizer au revoir (brrrrrrr). 

Nos meus planos a longo prazo existe uma âncora, é certo. Mas só a lançarei, mamacita, quando tiver a certeza que ele é o tal. O meu miúdo. E sabes bem do que falo, mãe. "É ele! É ele!". Tanta excitação, tantos planos e no final ele saiu uma valente merda.

Até encontrar o meu "Nelsinho", o meu "Cristianinho", o meu "Johnyzinho"... É curtir o milhão. (Não, não sou nenhuma depravada. Sou até um osso duro de roer. Servem estas palavras como um auto boost de energia.)

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Tive uma Professora de Geologia, cientista convicta, que dizia que o horóscopo era das maiores tretas do Universo. No entanto, admitia nāo passava um dia sem consultar o que o horóscopo diário premeditava. Eu sou mais ou menos assim. Por mais ridīculo que acho que seja tambėm gosto de dar uma vistinha de olhos. E de verificar compatibilidades de signos. A verdade é que a seguir nunca sei o que hei-de fazer com a informação adqurida. Porque como Geminiana que sou faço por me deixar levar ao sabor do vento. Sem pressas. Porque o que tiver que ser será. E eu sei que o meu miúdo anda por aí

quote-Arthur-C.-Clarke-i-dont-believe-in-astrology

 

eu cá sou gémeos. mas a mensagem vale por si só.

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pontualidade

por Mary P., em 17.02.15

Nós portugueses, que tanto gostamos de seguir os costumes dos outros, bem que podíamos importar (será? confundo sempre o importar com o exportar, mas penso que irão perceber a ideia a seguir) a pontualidade dos britânicos. Poucos são os portugueses que conheço que honram o compromisso. Faz parte do meu dia-a-dia.

No entanto, há sempre uma excepção à regra: a minha mãe. E eu. Porque apesar dela muitas vezes roçar o limite da paciência de uma pessoa ao querer sair mais cedo 10 min quando se saíssemos 5 min depois daria perfeitamente para chegarmos ainda antes do que foi combinado eu confesso que também sou assim. Somos sempre as primeiras a chegar (e antes do tempo!, mas isso confesso que é problema nosso).

Os meus amigos, por exemplo. Excelentes pessoas. A aula começa às 8h30. Pensamento generalizado: dá perfeitamente para me levantar às 7h45 porque a Professora chega sempre atrasada e também temos os 10min de tolerância. Dia a seguir: fizeram snooze, o autocarro não passou. Chegaram à faculdade às 8h35 e ainda foram tomar um café e fumar um cigarro porque o computador ainda demora a ser ligado e sem cafeína a passear-se na corrente sanguínea é impossível fazer seja o que for. Para mim também é essencial tomar um café e fumar um cigarro (calma. calma, que estou a tratar de remover o termo "essencial" a esta segunda parte). E a acrescentar que gosto de fazer tudo na maior das calmas e descontracção logo de manhã. E por isso acordo às 6h45 para sair de casa às 7h30, o que faz com que chegue à faculdade às 8h e que tenha 30min para tomar café, momento kit kat adaptado e ainda dar duas de letra. 

E faz-me comichão, muita comichão quando os meus, igual a muitos outros portugueses, estão mega atrasados e lhes ligo a perguntar "Então?! Que aconteceu?" me respondem: "Calma, Mary. Já estou a sair de casa." Quando eu sei que ainda nem da cama saíram. 

Os meus amigos foram só um exemplo. Tenho mais "meus" que pensam exactamente do mesmo modo e observo também muitos assim - estamos sempre a tempo.

É que a outra parte está sempre à espera que eu apanhe trânsito, que me esqueça de alguma coisa e volte para trás, que há sempre aquela meia-horinha de tolerância, que chovam canivetes,... Mas já por causa de todos os imprevistos possíveis e imaginários eu trato de chegar mais cedo para NINGUÉM ESPERAR POR MIM, PORQUE SE HÁ COISA QUE ME TIRA DO SÉRIO SÃO ATRASOS. OK, PESSOAS?

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Simultaneamente, meu futuro marido, meu xuxu, sou uma rapariga clássica, o que me permite chegar atrasada no dia da nossa boda. É só para ficarmos esclarecidos logo à partida.

 

 

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o valor somos nós que damos

por Mary P., em 11.02.15

O meu cérebro está a borbulhar, não no sentido literal obviamente. Borbulhar no sentido de ter quinhentas mil ideias para o post a iniciar este novo caminho.

 

Não me desliguei do blog. Todos os dias houve qualquer coisa, li, ouvi, reflecti sobre algo que pensei: "isto dava um bom tema para um post". Mas o mês de Janeiro foi simplesmente caótico - física e mentalmente. Já vivi 21 meses de Janeiro. Este, o de 2015, foi sem sombra de dúvida, o que mais custou a passar. Nunca a frase "parece que nunca mais acaba" fez tanto sentido.

 

Passo a explicar: entre os meses de Setembro e 1/2 Fevereiro estive no Hospital São João a estagiar - Medicina e Cirurgia. Cirurgia foi assim uma coisa de coração. Adorei, adorei, adorei. Adorei os orientadores, adorei a equipa de Enfermagem, adorei a equipa Médica e as auxiliares, adorei as instalações. ADOREI A MÍSTICA DO SERVIÇO. A última semana foi horrorosa. Não queria que os dias acabassem. Todos os dias me levantava cheia de vontade para ir para o Hospital e aprender mais "umas coisinhas". Todos os dias no final do turno olhava para trás (não necessariamente) e pensava "Epa ... é mesmo disto que eu gosto!". Aqui disseram-me: "Inês, tens tudo para ser uma óptima Enfermeira. Sabes, procuras saber mais, és organizada, sabes falar com os utentes. Não te percas." e deram-me o melhor elogio de sempre no dia da Avaliação Final (Enfermeiros Orientadores pelos quais eu tenho o maior respeito): "Um dia se for por hospital é por Enfermeiras como tu, Inês, que eu quero ser atendido." Tocou-me. Sorri apenas. Mas tocou-me, confesso. Simultaneamente desvalorizei porque sabia que tinha pela frente um estágio que é tido como duro. Poucos são os que gostam de Medicina. A verdade é que nos últimos tempos já me sentia completamente integrada no serviço. Porque tinham-me dado espaço para ser eu, a Inês. Tive oportunidade de me mostrar, o que fez com que me conhecesse melhor. Descobri/adquiri características em mim. Aproveitei a oportunidade e fiz por mostrar que tinha sido bem empregue. Mil obrigadas do fundo coração, Professor Alex e Professora Alice.

Já nos finais de 2014 mudei para Medicina. Desci um piso. Tudo diferente. Orientadoras, Equipa Multidisciplinar, instalações. Ambiente do serviço. Sofri horrores - tristemente é mesmo este o termo correcto. A partir daqui podia levar este parágrafo para vários temas: a bipolaridade, tudo o que um Orientador não deve ser/dizer/fazer, a frustração, a linha ténue entre o respeito pela autoridade e a desvalorização de hierarquias justificada, a autoridade só porque sim,... Abreviando, neste estágio a Inês na sua essência foi reprimida. Não teve espaço. Aliás, retiraram-lhe espaço. Logo na primeira semana lhe disseram que estava para a Enfermagem como o chocolate está para o azeite, ou seja, nada a ver. Não foi um murro no estômago. Foi um atropelamento por trinta camiões-tir repetido quinhentas e cinquenta mil vezes. Respondi: "Professora, acontece que no lugar do coração não tenho uma pedra." E a partir desse momento o meu caminho foi dificultado. 

 

Continuando no espírito de abreviar cheguei a casa e chorei. Chorei porque achava que tinha feito um bom trabalho. E uma senhora que não me conhecia de lado nenhum ao final de três dias me pergunta se eu tenho consciência de que estou no 3º ano de Enfermagem e não de Psicologia e que na sua ironia me mandou ir para casa rever a definição de Relação Terapêutica. Conceito este que me tinha sido valorizado pelos orientadores por quem merecem toda a minha consideração, porque eles sim me mostraram TODOS OS DIAS a imagem e a postura que eu quero adoptar - admirava-os e pensava para mim: "Quando for grande quero e vou ser assim." Tudo isto porque a minha utente começou a chorar quando lhe desejei bom fim-de-semana e lhe disse que só voltava na 3ªfeira. Acontece que era uma utente de 80 anos, de Amarante, solteira. Recebia a visita do sobrinho 2xsemana quando via as suas "vizinhas" sempre com gente aos pés da cama. Obviamente que lhe dei uma atenção especial. E se houve pessoa com quem eu senti que construí uma Relação Terapêutica - conceito que tanta gente se queixa sobre a sua ausência nos hospitais portugueses nos dias de hoje - foi com a D. V.. Fui quem lhe explicou a importância para a sua saúde fazer pesquisas de glicemia 4xdia - "Ó Enfermeira, já não chega as picas de ontem? Olhe bem para os meus dedos. Vá tratar a dali do lado!" -, era eu quem ela deixava dar banho e avaliar a tensão arterial. Foi a mim que a D. V., desconfiada de tudo e de todos,  respondeu às perguntas permitindo construir uma boa Avaliação Inicial. Foi comigo que a D. V. aprendeu a falar devagar e a ganhar confiança e à-vontade para ser ela mesma - uma senhora super amorosa, com a piada na ponta da língua e que toda a gente naquela Enfermaria era incapaz de sair sem lhe dar uma palavrinha - deixando cair a protecção de "eu não preciso de estar aqui. Deixe-me em paz. Eu quero é ficar sozinha. Ninguém me entende." 

 

Seguindo a minha essência e a minha aptidão inata de divagar e divagar demorei bastante tempo a decidir que título iria dar a este post. E penso que "o valor somos nós que damos" acenta que nem uma luva. Porque se quando fui elogiada desvalorizei e fiz por não pensar muito no assunto, quando o meu carácter e aptidão - técnica e social - foram postos em causa levei a peito e deixei-me afectar. Muito. Agora que já passou se calhar tería desvalorizado completamente. Mas o que está feito, feito está. 

 

Com isto quero dizer que é importante, essencial mesmo, darmos ouvidos a quem percebe realmente sobre o assunto. E compartimentalizar. Guardar as informações em caixas, caixotes e caixinhas conforme a sua importância/veracidade usando em simultâneo um coador onde só passa aquilo que contribuirá realmente para o nosso desenvolvimento.

 

Termino este post com uma frase que eu gosto muito e que me toca particularmente acompanho-me todos os dias:

 

"Põe tudo o que és na mais pequena coisa que faças."

Ricardo Reis, meu querido e eterno Nando, Nandinho

 

Não te minimizes. Não te acanhes. Observa. Vê. Ouve. Escuta e retém. Valoriza e valoriza-te. Retoca. Entrega-te de coração.

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mudar de ares

por Mary P., em 24.11.14

Nada como começar um dia festivo com introdução a um novo ensino clínico e a despedida de 7cm de cabelo!

Quem muda Deus ajuda!

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1 ano, mas não foram 365 dias!

por Mary P., em 24.11.14

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Há um ano que dei início a esta demanda. Com altos e baixos. Com períodos de ausência. Com vontade. Com desejos de me sentar e escrever ao computador. Com entusiasmo. Com determinação. Com transparência. Com verdade. Fui eu da primeira à última palavra escritas. Que venham mais!

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Aqui.

por Mary P., em 16.11.14

Aqui, deposta enfim a minha imagem,
Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem,
No interior das coisas canto nua.

Aqui livre sou eu — eco da lua
E dos jardins, os gestos recebidos
E o tumulto dos gestos pressentidos,
Aqui sou eu em tudo quanto amei.

Não por aquilo que só atravessei,
Não pelo meu rumor que só perdi,
Não pelos incertos actos que vivi,

Mas por tudo de quanto ressoei
E em cujo amor de amor me eternizei.

 

Sophia de Mello Breyner Andresen, Dia do Mar

 

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esta sou eu, I. Mary Poppins, neste momento. Que ninguém se meta à minha frente sff. Que eu descobri a minha vocação e ninguém conseguirá assombrar esta minha vontade de VIVER PARA SER FELIZ!

 

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-> (parte V)

por Mary P., em 16.11.14

Tui -> Redondela, uns livros dizem 29km outros 30km. O que importa é que a partir de Espanha este parece-me ser o dia mais "pesado".

A novidade é, como já tinha escrito, já não se fazer a recta de Porriño. Muitos se queixavam pelo longo passeio de alcatrão. Eu até gostava. Divirtia-me com os camionistas. Caaaaaaaaaaaaaaaalmaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa. Diversão no sentido de lhes  pedir que apitassem. A verdade é que odeio caminhar em alcatrão seja de dia, seja de noite, com muito calor ou muito frio. Daí encontrar alguma coisa para me distrair. Em relação à alternativa é alcatrão na mesma, com muitas curvas e contra-curvas e bosque pelo meio. Fez-se.

Acontecimentos durante El Camino:

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Incrível! Em sentido contrário a nós encontrámos este Japonês que estava a fazer o caminho DESCALÇO e nos cumprimentou com um efusivo e quente ALELUIA :) Nesta altura já estávamos a desfalecer e o seu ALELUIA :) + o seu espírito de sacrifício encarado com leveza e sorriso na cara foi um boost de energia para nós.

A chuva estava a ameaçar e houve quem optasse por ficar em Mós. Nós fomos valentonas, enchemos o peito de ar e subimos a famosa Rúa dos Cavaleiros (se a memória não me falha). Mas não o fizemos sem antes deixarmos também o nosso boost para os nossos queridos Valentina & Salvatore:

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 Durante esta etapa tirei a minha melhor fotografia. Olhando para ela agora sei que podia ter feito um enquadramento muito melhor, mas continuo a gostar muito dela:

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 Penso ter sido nesta etapa que encontrámos um Gipsy Guy com um sotaque bastante nortenho que entre o cacete, o fiambre e o queijo que metia desenfriadamente à boca nos disse ser de Braga. Um Gipsy Guy solitário que faz da vida as Rotas até Santiago. 

Nos entretantos, deparamo-nos com este bonito quadro:

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Eu e o meu Amor 

 

A nossa primeira meta neste dia, que contámos com a companhia da Maga, a médica peruana a trabalhar em Madrid (mi Maga), era tomar o pequeno-almoço em Porriño e depois finalmente Redondela (atenção que o último troço é violento porque é sempre a descer em curvas-contra-curvas).

E finalmente chegámos a Redondela! INÉDITO!! Chegámos por volta das 14h/15h. E o albergue já estava lleno. Alternativas? Perguntámos nós à voluntária. Irmos até à polícia e tentar a nossa sorte para nos abrirem o pavilhão. Cheias de fome. Lá fomos até à esquadra que se distancia bastante do centro da cidade. Polícia do mais mal-educado que pode haver, prepotente. Só lhe faltou insultar-nos. Basicamente chamou-nos de estúpidas porque era ridículo virmos de Tui. Devíamos de ter ficado em Porriño. Já éramos todas crescidas e a nossa atitude era ridicula. Desculpe Senhor? Mas o Sr. tem alguma coisa haver ser por acaso eu quiser fazer Porto - Santiago num dia? Foi o Sr. que estava a abastecer a máquina de snacks que nos indicou um albergue privado no centro da cidade para onde os peregrinos costumam ir em alternativa ao público. Lá fomos nós. Curiosamente no albergue estavam todos que tinham partido connosco. Acontece que quem parte de Porriño como tem menos caminho para fazer, mesmo que saia pouco mais tarde de quem parte de Tui chega mais rápido a Redondela (um dos albergues mais bonitos do Caminho). E pronto. Mais uma novidade. Estadia num albergue privado. Com pouco quartos e apenas duas casas-de-banho. Foi aqui que conhecemos o nosso David e o nosso Gabriel, um português e um São Paulista (será assim?) de Aveiro. Ainda hoje nos rimos com valentes gargalhadas com o modo de como nos conhecemos. Agora que escrevo acho que foi um almoço/lanche/jantar porque estávamos bastante atrasadas. Sim, porque mesmo depois de termos chegado tarde ainda ficámos prisioneiras durante uma hora num dos quartos do tal albergue. O dia acabou com um Valentina, Salvatore ecoados por todas as ruas de Redondela, pois os nossos amigos italianos ainda chegaram mais tarde do que nós e nem no tal albergue conseguiram guarida. Foi o dono da Hamburgueria onde estávamos a almoçar/lanchar/jantar nos deu o contacto de um piso para arrendar e eles já tinham partido. Foi um momento bonito! Terminámos com eles a jantar, nós a experimentarmos una Clara con Limón (é boooom) e depois quando chegámos al Albergue encontrámos os nossos amigos portugueses e treinei a minha arte nos fantásticos pés do Gabrieu.

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Obviamente que não podíamos deixar Redondela sem antes irmos ao café do centro, no largo do Albergue, cumprimentar o simpático dono do café do Pingrino. Vejam lá como este mundo é pequenino! O Sr. é amigo de um amigo que a Sophie e a Sarocas fizeram quando fizeram o caminho primitivo. E esse tal amigo também já tinha feito o caminho com o meu pai. O Super Mário, como é assim conhecido, ferrenho portista deu esta belíssima garraja que enaltece o café do selo mais bonito de todo o caminho. Este foi o nosso registo:

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 Ficam alguns registos:

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